Muito se fala que o pensamento filosófico busca superar o senso comum. Mas o que é senso comum?
Podemos também chamá-lo de conhecimento popular. Compreende todo um conjunto de saberes práticos que foram adquiridos pelas experiências, crenças, hábitos e tradições - milenares, muitas vezes - que moldam o pensamento de um indivíduo ou de uma coletividade. Se não tiver o hábito de confrontar suas convicções, provavelmente você vive dentro do que conhecemos como senso comum.
Como vantagem, esse tipo de conhecimento pode facilitar a solução de problemas corriqueiros que não exigem reflexões profundas. Além disso, contribui com o sentimento de identificação e pertencimento a uma comunidade e serve, inclusive como ponto de partida para análises filosóficas ou científicas de sua credibilidade. Mas frequentemente oferece respostas irrefletidas ou superadas pelo tempo e pela ciência, impedindo que novas ideias se estabeleçam. De qualquer modo, pode ser utilizado por pessoas ou entidades mal intencionadas para manipular a consciência coletiva.
A filosofia trabalha em promover o estranhamento e o questionamento por meio de ferramentas que permitem analisar e oferecer respostas racionais. Ela busca compreender as origens, as motivações e a estrutura lógica do que se impõe como verdade óbvia, separando falácias e argumentos logicamente fundamentados. Assim, o indivíduo supera o senso comum, pois começa a pensar de forma crítica e livre, desenvolvendo a própria autonomia intelectual e consciência independente.
Você considera a autonomia intelectual uma virtude importante?
By Ednaldo Teixeira.
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