A história da filosofia não deve ser tratada como “mera concatenação de acontecimentos e opiniões sem compreensão ou motivo”, como adverte o eminente historiador Frederick Copleston (2021, p. 13). Nessa perspectiva, importa que o trabalho historiográfico transcenda a mera sistematização lógica dos conteúdos. É necessária, portanto, uma reconstrução histórica que reflita o contexto intelectual da época e a bagagem conceitual dos filósofos em estudo, ensejando o desenvolvimento orgânico das ideias.
Nas palavras de Hegel, “a história de um assunto está intimamente conexa com a concepção que dela se faça” (HEGEL apud CARVALHO, 1980, p. 325). Longe de sugerir um relativismo historiográfico subjetivo, o autor reconhece que a narrativa é indissociável do momento histórico do historiador. O pesquisador assume sua amplitude conceitual como critério de seleção ou como diretriz para a apresentação de cada ideia. Essa variedade de enfoques e critérios faz parte da dinâmica dialética hegeliana, possibilitando que importantes temas sejam articulados sob diferentes perspectivas como etapas necessárias à evolução do pensamento.
Quanto ao fim último da filosofia, Hegel (HEGEL apud CARVALHO, 1980, p.332) enfatiza que “o seu fim é a verdade.” O trabalho sobre o qual a filosofia se debruça é de natureza estritamente intelectual, buscando apreender a verdade de modo sistemático e lógico, como resultado do franco desenvolvimento da razão. Assim, “como a filosofia é sistema em desenvolvimento, também o é a história da filosofia” (HEGEL apud CARVALHO, 1980, p.346). Diferente da história de outras ciências, em que uma descoberta suplanta a anterior, tornando-a obsoleta, essa definição aponta para o caráter dinâmico, progressivo e integrativo da história da filosofia. Desse modo, o passado não é esquecido ou substituído, mas compõe a totalidade do amadurecimento do próprio pensamento.
Qual a sua crítica quando se diz que a história da filosofia é apenas uma coleção de opiniões passadas?
By Ednaldo Teixeira
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