Vivemos numa época em que tudo é visto pelo imperativo da performance e da produtividade. Vídeos acelerados, leituras rápidas e produções de conteúdo em escala conquistaram importante destaque no cenário cultural contemporâneo. Somos invadidos a todo momento por uma infinidade de informações de todas as áreas do saber e do entretenimento. A oferta massificada e a falta de critério no consumo do que chega até nós têm produzido indivíduos inaptos intelectualmente, resultando na absorção acrítica de qualquer produto. Falta-nos seletividade.
Por um lado, a democratização cultural facilita o acesso a um enorme acervo do pensamento universal, otimizando recursos como tempo e capital. Se antes podíamos reclamar da falta de recursos para uma boa educação, hoje temos em abundância e, muitas vezes, gratuitamente. O que determina a qualidade de um conteúdo não é estritamente seu tamanho ou extensão, mas a honestidade e a precisão metodológica de sua produção. Por outro lado, o imediatismo tecnológico reduz a disposição para empreendimentos culturais que demandam tempo e dedicação. Desse modo, somos tentados a ceder às facilidades instantâneas e a nos contentar com abordagens superficiais esvaziadas de potencial reflexivo.
Dedicar-se ao estudo da história da filosofia ocidental exige esforço de grande vulto. Pode-se até começar com materiais curtos, mas estes serão apenas introdução, pois dada a extensão dos períodos, a multiplicidade de filósofos e a complexidade dos temas, será inevitável a leitura de grandes compêndios. Diante desse panorama imediatista, pergunta-se: há razões suficientes para que alguém se aventure a estudar história da filosofia? Minha sincera convicção é que sim, e por razões sólidas. Na sequência, apresento quatro pontos acerca da importância desse estudo tão abrangente e desafiador.
Até que ponto o imediatismo tecnológico é positivo para a educação de qualidade?
By Ednaldo Teixeira
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