Pensando aqui…
Me parece que a ‘era da liberdade’ não foi suficiente para aliviar o cansaço e a infelicidade das pessoas.
Viemos de uma época em que a sociedade era extremamente repressora. Desde nossos impulsos, sentimentos, até os desejos mais íntimos eram impuros, sempre a partir de uma perspectiva moralista. Nada se podia fazer, ou melhor, só se fazia o que era permitido em nome de uma tradição cultural ou religiosa.
Hoje, podemos desejar, fazer, ser o que quisermos. Se nossa suposta felicidade for o objetivo, tudo vale, já que o fundamento das nossas escolhas leva em conta o conforto máximo e o prazer extremo. Ser feliz é obrigatório; é resultado de performance e a culpa é toda sua se não conseguir.
Entretanto, a sensação é de ter chegado ao outro lado e não saber qual estrada pegar. As possibilidades são tantas, que nos tornam vulneráveis à angústia na hora de decidir e ao arrependimento quando precisamos sustentar a decisão.
Antes, sofríamos pela amputação de nossas vontades e uma crise de identidade se instalava pela falta de experiências que a validassem. Hoje, a crise é resultante do nosso consumo de experiências que carregam em si pouco ou nenhum significado.
Como consequência, não temos direção e uma sensação de vazio e abandono existencial tomou conta da humanidade. Até mesmo as relações foram afetadas: buscamos pertencimento, mas não encontramos conexão, pois é necessário abrir mão da liberdade plena e excluir outras opções.
De todo modo, experimentamos a dissolução do ‘eu’ a partir dos extremos: o ‘nada e o tudo’. Talvez, o grande problema não seja a falta ou o excesso do que fazer, mas a lacuna essencial de sentido que assola a sociedade do ‘tudo pode’.
Mesmo sabendo que ‘pode tudo’, você busca sentido para suas escolhas?
By Ednaldo Teixeira
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