O Nascimento da Ciência e o Papel Moderno da Filosofia
Neste texto será apresentado o motivo pelo qual uns são chamados de cientistas e outros de filósofos e por que a filosofia ainda é vital mesmo após a autonomia das ciências.
A transição da fase escolástica para o pensamento moderno (séc. XV e XVIII) é caracterizada pelo antropocentrismo em que a filosofia e a ciência são separadas da tutela teológica num processo de secularização. Com a Revolução Científica, as ciências foram se especializando conforme o núcleo de interesses; disciplinas como matemática, biologia, física e química adotaram métodos específicos de observação, experimentação e comprovação. Foi um período de expressivo avanço do conhecimento.
Do século XVIII em diante, a filosofia passa por profundas transformações quanto ao seu papel, seus métodos e objetos de investigação. Não mais se preocupando com os fenômenos naturais, consolidou-se como teoria do conhecimento (epistemologia), metafísica, ética e investigação sobre o funcionamento das ciências. Ao delimitar os princípios éticos no uso do conhecimento e da tecnologia emergente, estabelece as bases da Filosofia da Ciência.
Para se ter uma ideia de quão recente é essa distinção, até o Século XIX, os filósofos eram chamados de ‘Filósofos Naturais.’ Newton, em 1687, intitulou sua obra fundamental como “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”. Para diferenciar os filósofos naturais daqueles que se dedicavam à vertente especulativa da filosofia, o termo ‘cientista’ foi cunhado pelo filósofo e historiador britânico William Whewell em 1834, mas obteve ampla aceitação somente no século XX.
A filosofia no mundo hoje
Em suma, a filosofia, em sua gênese, configurou-se como a mãe de todos os saberes, mas não é ciência segundo os pré-requisitos atuais. A autonomia das ciências não implicou ruptura, mas uma especialização relacionada a métodos, ao passo que a filosofia continua a desempenhar sua metodologia crítico-reflexiva. Permanece como disciplina basilar indispensável à sociedade contemporânea como guardiã da ética e fundamentação do conhecimento. Cabe a ela mediar o diálogo entre a crescente complexidade tecnológica e a reflexão ética garantindo que, num cenário de profundas e constantes transformações, a verdade e o progresso virtuoso continuem a orientar o sentido da nossa existência.
Com base no texto acima, comente a frase a seguir: ‘num cenário de profundas transformações tecnológicas, a filosofia tem o papel de guardiã da ética’.
By Ednaldo Teixeira
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