Historicamente, a Filosofia Natural abarcava todas as áreas do saber. Com o advento da Revolução Científica, iniciada no Século XVII, delineia-se a distinção entre filosofia e ciência, que se institucionalizou somente na modernidade, no século XIX. Desde então, elas se diferenciam, primordialmente, quanto ao objeto. Enquanto a ciência busca referências que possam descrever o mundo fenomenológico, a filosofia se ocupa dos fundamentos do pensamento e da produção conceitual que lhe confere sentido.
A filosofia também se diferencia quanto à metodologia. Não se restringindo à experimentação empírica, utiliza o método crítico-reflexivo, por meio do qual questiona as verdades estabelecidas pelo senso comum e investiga as causas e os porquês da realidade, desde a natureza até o pensamento humano.
Sua ferramenta principal é o rigor lógico: partindo da coerência e da argumentação sólida, empreende a sistematização do conhecimento para que este possa ser analisado, debatido ou mesmo refutado. Por outro lado, entre as ferramentas científicas, destacam-se as evidências sensoriais, a reprodutibilidade e a matematização.
A filosofia tem natureza radical e vocação universal. Voltando-se para temas atemporais como ética, liberdade e justiça, busca a compreensão essencial (o porquê) da experiência humana, conferindo-lhe finalidade. Já as ciências têm natureza fragmentária – áreas específicas da realidade – com foco no funcionamento das ‘coisas’ (como), provendo ferramentas e progresso técnico, embora algumas busquem também estabelecer leis universais. A radicalidade filosófica garante que seus questionamentos vão além da superfície dos fenômenos, chegando à sua raiz e fundamentando o caminho para a construção de um conhecimento sólido e abrangente.
Por fim, dadas as particularidades temáticas e metodológicas das ciências modernas, a filosofia – embora fundamental e necessária – não se enquadra nos paradigmas contemporâneos da cientificidade. De natureza epistemológica, define sua identidade atual como ‘Disciplina de Primeira e Segunda Ordem’. De primeira ordem, pelo poder de elaborar conceitos fundamentais que moldam a percepção da realidade; de segunda ordem, pois atua como uma ‘metalinguagem’ avaliando seus próprios métodos e pressupostos de investigação. É exatamente essa capacidade que lhe permite avaliar, também, os paradigmas da ciência.
Você tem o costume de questionar os fundamentos da sua realidade ou leva a vida no ‘automático’?
By Ednaldo Teixeira
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