E se um dia você descobrisse que tudo o que você viveu não passou de um jogo?
O contexto é de vigilância total. Desde o nascimento, Truman Burbank (Jim Carrey) tem sua vida espionada por câmeras em toda parte. Sem que ele saiba, sua rotina diária integra um reality show acompanhado por milhões de pessoas pelo mundo. Somente aos trinta anos ele começa a perceber que nem tudo flui como deveria, quando começa sua jornada em busca da realidade que lhe fora ocultada por tanto tempo.
“Nós aceitamos a realidade do mundo como ela se apresenta", frase dita pelo antagonista Christof, explicando o motivo de Truman nunca ter questionado sua realidade forjada. De fato, quando tudo o que vemos se confunde com a totalidade do que há, nossa perspectiva de mundo fica ridiculamente limitada. É como dizer que a realidade que ignoramos não existe para nós, pois a falta de conhecimento define os contornos da nossa percepção do mundo. Daí a necessidade de se questionar, de buscar novas compreensões da realidade, para que a vida seja abundante, abrangente e, acima de tudo, consciente.
Saber que foi enganado a vida toda despertou em Truman uma ambição que o provocou a ir além do que as ‘paredes’ lhe permitiam. Sua ‘emancipação’ guarda paralelo com a saída da ‘caverna’ de Platão e faz-nos compreender que, uma vez contemplada, a verdade provoca em nós transformações radicais. É nessa hora que julgamentos ou opiniões alheias deixam de ser determinantes. Mesmo sabendo que os antigos limites insistem em nos manter presos ao passado, a consciência desperta sempre busca oportunidades de expansão.
Nesse contexto, somos levados a refletir sobre os limites éticos do entretenimento. O que vale em nome da diversão e do lucro? Qual o limite ético da diversão? A manipulação da realidade é válida? A falta de transparência é bem-vinda? Em que medida o engano faz parte do processo? Quais os prejuízos de uma consciência que se reduz a relacionamentos “ensaiados"? Perguntas cujas respostas exigem profundas reflexões, dada a abrangência e atualidade de cada tema.
Afinal, o mundo pode até ser um lugar hostil e repleto de enganos, mas ninguém deve ser privado de fazer suas próprias escolhas. Somos seres únicos, dotados de vontade e capacidade de decidir, mas essa autonomia só será desenvolvida na medida em que nossas interações sociais sejam autênticas e verdadeiras, sendo realmente quem somos.
Numa era de exposição extrema e aparências, em que a vida humana é frequentemente transformada em espetáculo, não faltarão espectadores ‘bem intencionados’ a lançar opiniões sem ao menos se darem conta das consequências do que dizem. Por isso, desenvolva-se em consciência e em percepção da realidade; somente na condição de true-man – homem da verdade – você mitigará as chances de que sua vida seja palco para públicos irresponsáveis.
Até que ponto você acredita que as redes sociais limitam nossa capacidade de conhecer a realidade além do que nos é apresentado?
By Ednaldo Teixeira
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Ano de Lançamento: 1998
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