“A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos.” - Ludwig van Beethoven
É interessante perceber que nossa experiência sonora é múltipla, incluindo desde as batidas do coração da mãe percebidas pela criança no ventre, sons da natureza, as célebres trilhas sonoras, até as mais complexas e sofisticadas produções musicais. A música, em sua manifestação clássica, apresenta um equilíbrio entre melodia, harmonia e ritmo, de modo que, comparada à linguagem, evoca diferentes emoções e comunica uma determinada mensagem.
Nesse contexto, observa-se o fenômeno da ressonância, compreendida como uma transferência eficiente de energia de uma fonte externa a um sistema oscilante. Ao atingir frequência semelhante o sistema vibra e ressoa com intensidade máxima. Exemplo: corda de violão que vibra ao captar frequências compatíveis, emitindo som. Seus efeitos podem ser benéficos ou não, a depender do caso. Eis a importância de selecionarmos bem aquilo que ouvimos, para que as influências que recebemos sejam constitutivas de uma realidade positiva marcada por sentimentos elevados. Então, surge a pergunta: que tipo de música faz vibrar sua alma?
O episódio inaugural de ‘A Primeira Arte’, da plataforma da Brasil Paralelo, nos conduz à constatação de que a música tem grande influência sobre nós, humanos. Por um lado, vai desde a elevação das emoções até o aperfeiçoamento das virtudes, contribuindo para a formação de nossa identidade individual e coletiva. Por outro, de viés negativo, pode corromper não só nossas emoções, mas degradar uma geração inteira de seres humanos incautos.
A música atinge sua plenitude existencial quando executada. Portanto, o homem tem papel fundamental nesse processo e temos total responsabilidade ética pelo que produzimos e sobretudo pelo que decidimos consumir. Uma vez executada, ela produzirá os efeitos para os quais foi projetada, seja corrompendo a essência humana, seja trazendo mais consciência do nosso existir para além da realidade biológica e cotidiana – a transcendência.
Por fim, somos apresentados à triste realidade do cenário musical contemporâneo. A complexidade musical está perdendo espaço para músicas minimalistas em harmonia e melodia, revelando uma inversão na hierarquia das faculdades humanas. Ao enfatizar o ritmo, a música apela diretamente à dimensão sensível e ao corpo (dimensão concupiscível) em detrimento da razão. Portanto, a desordem física e emocional dos tempos atuais pode ser, em grande medida, reflexo do nosso atual estado cultural relativo à musicalidade, pois como se diz na tradição clássica: ‘toda música nos leva para algum lugar’.
Até que ponto você considera que a música tem poder de influência no sentimento e nas ações das pessoas?
By Ednaldo Teixeira
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